10.7.10

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SportingCP 1-0 Young Boys
Saleiro (27)


Começou a rolar a bola mais a sério na nova época desportiva. Depois de 3 jogos à porta fechada na Academia, o estágio na Suiça teve o seu 1º jogo (também o 1º televisionado) e saldou-se com uma a vitória justa e tangencial da melhor equipa, embora sem deslumbramentos ou tão pouco grandes certezas no futuro.
Plantel demasiado incompleto
Salta à vista de qualquer adepto que este Sporting (versão 2010/11 de Paulo Sérgio) está ainda manifestamente longe de estar definido, e por consequência, o plantel está ainda deficitário e pouco fiável.
A primeira ideia que se ressalva é a de que PS vai fazer poucas substituições durante os jogos de preparação, provavelmente para habituar o mais rapidamente os jogadores a 90 minutos. Embora esta opção possa diminuir a capacidade da equipa nas partes finais destes aprontos, espera-se que traga frutos a médio prazo, quando os jogos forem a doer.
Mesmo assim, não serão mais de 4 ou 5 os que jogaram neste encontro e possam vir a jogar como habituais titulares (na baliza a escolha será concerteza outra, a defesa não será muito diferente desta à excepção de Polga, o miolo contará muitas vezes com Maniche e Santos, mas no resto, e porque Yannick deve estar de saída, vimos apenas segundas opções). Sem perder muito tempo, basta referir que Patrício, Torsiglieri, Mendes, Matias, Marat, Valdez e Liedson não actuaram, e a estes ainda se acrescentarão os reforços que mais tarde chegarão.

Bons apontamentos e novos princípios de jogo
PPS avisou, e a equipa está a dar mostras de querer chegar lá – a pressão alta, e consequente recuperação de bola no meio-campo adversário parece vir a ser uma das prioridades. Mas no 4-4-2 clássico que PS apresentou, os 2 alas pouco ou nada contribuíram para tal, e a dupla da frente muito cedo deixou de ter pernas para tal objectivo. Restou um miolo esforçado (a que se juntaria mais tarde NACoelho) e 2 laterais a mostrarem já grande disponibilidade.
Quem deu mais e menos nas vistas foram os alas (ou extremos) – Yannick mostrou outro patamar de velocidade, que lhe permitiu os melhores desequilíbrios, e a assistência para o golo, o jovem Salomão, embora com bons pormenores parece ainda verde, e pouco à vontade com tamanho salto qualitativo na carreira.
Para mim, quem me encheu as medidas foram os laterais, bem a atacar e a defender, que será a grande diferença qualitativa desta equipa em relação ao início da temporada passada – Evaldo será reforço cirúrgico, e João Pereira poderá definitivamente explodir, e vir a ser opção inclusive na selecção nacional, órfã de Bosingwa.

Tacticamente disparatando
Tenho dúvidas em aceitar que o 4-4-2 clássico seja a solução para o Sporting, em especial jogando com 2 extremos tão ‘extremos’, sem capacidade de jogar por dentro, ajudar na pressão e incapazes de defender. Mais – neste sistema onde encaixará Matias? Na frente ao lado do provável Liedson, preso de movimentos? No duplo pivot defensivo, agarrado a tarefas defensivas, tentando ser um box-to-box?
O 4-3-3 dos últimos minutos, mais à medida de Maniche e Matias, também não me convence por aí além, uma vez que é já notório que Liedson precisa de jogar na frente com companhia.
Estou em crer que a opção de PS passará por um sistema híbrido que misturará de alguma forma estas duas vertentes tácticas, assente na preponderância dos defesas laterais, e na chegada de um ala desequilibrador (Drenthe, Valdez?!?), capaz de encarar sempre o defesa, ir à linha e cruzar, privilegiando o jogo aéreo do avançado-centro.
Será isso possível no momento? Na minha opinião, ainda não. Até porque Yannick é o único realmente capaz de desequilibrar na linha, mas é muito limitado no passe e no cruzamento, e teria que o fazer do lado direito, obrigando Evaldo a ter que fazer toda a ala esquerda, quando penso que o modelo assentará precisamente no contrário. Passo a explicar:

O 4-4-2 desequilibrado
O 4 defensivo será formado por JP, Carriço, Evaldo e outro central, tenho poucas dúvidas. Aproveitando as características dos jogadores, Evaldo será sempre mais comedido ofensivamente que JP, e por isso o 4 de meio campo deverá ser formado por um trinco mais estático (Mendes), um 10 organizador de jogo (preferencialmente Matias), um 8 que descaia para a direita, mas que dê a linha a JPereira (Maniche, ASantos, Valdez?) e um ala esquerdo de linha (oxalá Drenthe, no futuro eventualmente Salomão). Este esquema permitiria ao Sporting utilizar 2 avançados mais móveis (p.e. Liedson e Pongolle/Vukcevic), ou 1 avançado mais posicional e outro solto (aqui Saleiro poderia ser mais estático e todos os outros candidatos a avançado móvel incluindo Postiga).
Para este formato, que de acordo com as peças na posição 7, 8 e 9, poderia ser mais ou menos ofensivo, faltará sempre reforçar o plantel actual com pelo menos um ala esquerdo de valor inquestionável, mais um jogador para o miolo (se não ficar Veloso!), e objectivamente um avançado de área, capaz de jogar de cabeça (coisa que Saleiro não sabe), possante e essencialmente finalizador (Velasquez, Boghossian?). Sem estes ajustes no plantel, não será possível implementar este 4-4-2, que gosaria de ver praticar um futebol de ataque, sempre para ganhar, que levasse gente aos estádios e revitalizasse o nosso Clube!

De saída
Os jornais dão como quase certa a saída de Veloso (para Madrid ou Itália) e Yannick (para um clube médio inglês). Já aqui o escrevi que não sou especial fã de nenhum dos 2. Considero inequívoca a predestinação e qualidades naturais de ambos, mas enquadro-os no típico ‘jogador estrela’ que se auto-satisfaz muito cedo, se considera melhor que os colegas, acima do conjunto, e passa a vida entre possíveis saídas para colossos europeus. Já tivemos vários exemplos destes e continuaremos a ter enquanto não ‘dermos o exemplo’ devido nestes casos.
Mais do que os potenciais valores envolvidos nas transferências (não me parece que Yannick valho 8M€, e muito menos Veloso valerá 18M€…), é curioso perceber que serão mais 2 apostas da panela de PBento que abandonarão Alvalade, possibilitando quiçá que PS não se transforme noutro Carvalhal. Assim seja.

Ciclismo de regresso?
Que me perdoem a graçola, mas o nosso equipamento principal faz-me lembrar um equipamento de ciclismo (será ainda pior quando o calção for o preto…). Ao contrário do habitual, o alternativo, que ainda não vi ao vivo, parece-me agradável – é determinante o leão a sombreado no ombro direito, à imagem do que a Puma fez com as suas selecções no Mundial 2010.

Graças a Deus
PS pode até não vir a singrar (a tarefa será tudo menos fácil…), mas saúdo-lhe a transparência no discurso, e o arrojo de não fugir às perguntas – o exemplo do que disse de Vukcevic (77?!?), e a forma simples como esclareceu que sobra magia e falta trabalho à cantera, espelha bem que estamos perante uma lufada de ar fresco na ‘linguísticagem do futebol’. Que não mude, mesmo se os resultados escassearem.






6.7.10

Sai João Moutinho, entram 11M€

O universo leonino foi neste fim-de-semana assolado pela notícia bombástica – João Moutinho (JM), até aqui seu capitão estava prestes a assinar pelo FCPorto.
À luz do que hoje já se sabe (objectivamente ouvido da boca de intervenientes, e não em teorias jornalísticas), e após a renúncia de JM em voltar a vestir a camisola do Sporting, José Eduardo Bettencourt (JEB) decidiu aceitar uma proposta de 11M€ (acrescida de 25% das mais valias numa transferência futura…).

Devo esclarecer que não teria a mesma decisão. Imediatamente após a declaração de JM em não voltar a vestir a camisola do nosso clube, apenas lhe diria que concordava com tal desejo, e pedir-lhe-ia que se apresentasse todos os dias aos treinos, até 2014. Estaria dado o exemplo Féher, com o adicional emotivo de ser um reles encarnado, mal agradecido o destinatário.

Mas percebo JEB, que dada a deficitária condição financeira do clube preferiu 11M€, e aproveitou para ainda pescar Nuno André Coelho (NAC), um central promissor, por 1M€ (embora apenas 50% dos direitos financeiros).

JM passou à história. Urge apagar todo e qualquer registo da sua passagem pelo clube, e urge pedir aos responsáveis pela Academia que procurem formar melhores homens.

NAC, em que poucos reparam, era o sucessor natural de Bruno Alves. Inexplicavelmente foi posto à venda, quando todos esperavam que visse a obter a camisola 2. Veio para o Sporting, espero que para singrar.

JEB prostrou JM perante os adeptos, e fê-lo bem. Não há que ter pena de quem não tem respeito pelo nosso clube.

11M€ dá para muita coisa
É certo que com a chegada de 11M€, fresquinhos do Dragão, apenas metade do problema está resolvido – a outra metade ficará quando se comprarem 1 ou 2 médios que completem o plantel (para além dos extremos e do avançado centro mais forte e com jogo aéreo…). Manuel Fernandes seria quanto a mim uma boa hipótese, embora deve ser demasiado caro. Espero que não se voltem a lembrar do oscilante HViana…

O problema Izmailov
Por muitas cabeças rola já o stress da venda de Marat, ainda para mais para o Porto. Confesso que considero que fará mais falta Marat que JM, mas tudo tem um preço, e Marat também o terá. Pró Porto? Até para o Carnide podia ir, desde que se acautelem as contrapartidas financeiras…
Ainda falta muito
Com a saída de JM, abriu-se a porta à ‘panelinha de PBento’ – o precedente criado pode ter um desenvolvimento inesperado – Marat, Veloso e Yannick podem ter percebido que se esticarem a corda podem viabilizar a saída, mas também ficaram já a saber a posição natural do clube, e sabem que arriscam muito, e terão muito mais a perder do que a ganhar, principalmente se lhes passar pela cabeça ‘ir para fora cá dentro’…
Por outro lado, Vuk foi readmitido (o que demonstra o quão grave deve ter sido o caso Stoi), e Polga e Caneira já não são vendáveis ou tão pouco decisivos no plantel.

Não concordo de todo
Já corre a Blogosfera a opinião de MST – como quase sempre, não concordo de todo, embora me pareça uma opinião menos errada do que a de muitos adeptos portistas…
Nem JM é assim tão fracote, nem NAC terá o futuro da selecção garantido. Mas que bem vistas as coisa serão bem mais de 11 simples Milhões de Euros, disso tenho poucas dúvidas…


24.6.10

Novo ano (época), vida nova!

Já arrancou a época 2010/11 em Alvalade/Alcochete, e para já os sportinguistas têm sido agradavelmente surpreendidos.

Paulo Sérgio trouxe um novo discurso (já tinha saudades de um timoneiro que não fosse profeta da desgraça e que não recorresse aos clichés ‘orçamento’, ‘plantel’, ‘rivais’ a cada resposta…), e uma nova mentalidade que se aplaude, e que espero esteja para durar.

Pelo meio chegaram reforços. André Santos é promissor e da casa – merece uma oportunidade séria, Maniche poderá emprestar garra e empenho a um meio-campo leve, levezinho que se dispensa, e Evaldo vem suprimir a mais óbvia lacuna no plantel. Já ontem chegou, escapando miraculosamente à interminável lista de reforços dos jornais para o nosso clube, um central alto, forte, jovem e promissor – Torsiglieri, que se saúda.

Ainda faltam reforços? Sim, não tenho dúvidas, mas já me preocupam mais os excedentários de luxo, mimados nos últimos 4 anos, que por certo poucos ou nenhuns quererão, e que pagos a peso de ouro minam contratações futuras…




Do 8 ao 80, com 7 golos!

Quem me conhece sabe que nunca fui um entusiasta deste grupo, que Carlos Queiroz (CQ) formou para atacar o Mundial 2010.
Reconheço que os elementos seleccionáveis (mesmo com Pepe e Liedson) são de valor inferior aos de 2008, e incomparavelmente inferiores aos de 2006 e 2004.

Não esperaria uma vitória no Mundial, ou mesmo o honroso 4ºlugar de 2006, mas não posso concordar com a escolha do seleccionador (para mim vulgar, nada humilde, pretensioso, e acima de tudo incapaz de ser líder do que quer que seja…) ou tão pouco com o colinho dos media em relação a este treinador que apanhou a melhor geração de jovens portugueses e teve condições que nenhum outro teve, e depois coleccionou falhanços e decepções por todo o lado onde passou, em especial no Sporting, onde desperdiçou provavelmente o melhor plantel dos últimos 40 anos.

Muitos refugiam-se nos títulos do Man Utd, e para esse eu tenho apenas uma pergunta – Se vocês fossem adjuntos de José Mourinho desde 2003, quantos títulos VOCÊS teriam ganho?

Não perderei tempo com os convocados ou a chamada patética de Ruben Amorim, ele é que sabe, ele é o maior.

Jogámos muito pouco contra a Costa do Marfim, e na 1ªparte contra a fortíssima Coreia o jogo foi dividido (mais uma vez a imprensa branqueou esta evidência, como fez noutras alturas durante o apuramento…), acabando a estratégia dos próprios Coreanos por nos abrir as portas da qualificação.

Não temos equipa para o Brazil, e não teremos para a Espanha – e muito dificilmente para o Chile, embora este seja mais acessível.
No entanto, caso o Chile empate a Espanha e a Suiça ultrapasse as Honduras, pelo escalonamento dos restantes, é bem provável que possamos chegar às meias-finais pois previsivelmente viremos a jogar frente a Suiça e Paraguai. Mas a Espanha não perderá.


P.S.- Acho nojentos os comentários do especialista Luís Freitas Lobo, na RTPn. A expressão ‘…até aos 70min jogamos apenas com portugueses…’, referindo-se ao jogo frente à Coreia, é do mais lamentável que ouvi em canal aberto nos últimos anos!


28.3.10

Voltou o Sporting Clube de Equívocos

Jogou-se na 6ªfeira na Madeira um jogo importante para aferir da capacidade de entusiasmo e auto-motivação, e mesmo do profisisonalismo, dos jogadores do Sporting.

Não irei por em causa o profissionalismo dos jogadores, mas pelo menos a auto-motivação e o entusiasmo ficaram no continente, poupando o bilhete da viagem.

Sem Moutinho e Veloso, Carvalhal poderia ter aproveitado para oferecer o miolo ao motor da mundialista selecção chilena, e eventualmente uma ala a Pereirinha (ou porque não a Vukcevic?), mas optou por colocar a batuta nos pés de Adrien, e ‘adiantou’ o endiabrado JPereira para ala, mantendo Abel e Grimi nas alas, com o sucesso que se vem conhecendo, e que sem surpresa se manteve.
O Sporting perdeu, e perdeu bem. Poderia até ter ganho? Sim. Dominou o inicio da 2ªparte, podia ter marcado, e o fiscal de linha até deveria ter deixado Saleiro ficar isolado face a Pessanha. Mas o futebol apresentado foi tão mau, que quase apetece escrever que a jogar a feijões, e tão mal, a derrota é mais do que justa, mesmo frente a um adversário medíocre.

O dedo de Carvalhal
Ao contrário da maior parte dos adeptos, procuro não precipitar avaliações sobre treinadores nos primeiros meses em que trabalham, preferindo dar-lhe o meu apoio incondicional, esperando que o tempo me ajude a formar uma opinião mais equilibrada.
A Carvalhal dispensei o mesmo expediente, e depois deste jogo penso estar em condições de afirmar que por mim não deveria continuar ao leme para a próxima época.
Joga (ou já jogou) o Sporting melhor com Carvalhal do que fez esta época antes deste treinador chegar? Sim, sem dúvida.
É o plantel fraco, e a estrutura de suporte ao treinador deficiente? É, sem dúvidas, e nem os reforços de Inverno amenizaram essa situação.
Mas a equipa que Carvalhal apresentou na Madeira (e prefiro não reflectir sobre a viagem de Marat aos Barreiros) não lembra nem ao Diabo. Se depois destes meses cometeu tantos equívocos num jogo só, então mais vale sondar o Professor Neca…

Valorizar activos com o Mundial no horizonte
Se há algo porque lutar nestas 6 semanas é por criar condições para levar ao Mundial o maior número de jogadores possíveis.
O Sporting tem convocáveis para o Mundial Patricio, JPereira, Carriço, Tonel, PMendes, Veloso, Moutinho, Matias, Liedson e Saleiro. Chega a ser abusivo pensar que se poderiam levar 10 jogadores aoMundial, mas até podia acontecer, embora seja praticamente impossível.
O que faz Carvalhal a esta gestão de activos nos últimos 3 meses?
- JP perde o lugar para o estratosférico Abel;
- Veloso joga sempre a médio, onde menos falta faz à selecção;
- Matias não joga em sistema nenhum;
- Saleiro joga a espaços.

Pelo que se pode ver Carvalhal tem 3 apostas claras para o Mundial: Grimi, Abel e Yannick.

Outra curiosidade que fica por debater é a objectividade das contratações de Janeiro – JP não conseguiu roubar o lugar ao arrastado Abel, Pongolle nem ritmo de jogo consegue ganhar. Para aumentar os equívocos, do Verão Matias continua sem ser aposta, e Caicedo até já rumou ao país vizinho.

Ainda há quem ache que o problema do Sporting passa por falta de dinheiro e atrasos nas reestruturações financeiras?


Marat e os media
O caso de Marat Izmailov, objectivamente empolado por uma imprensa que brinca com o Sporting de forma repetida e continuada, ainda não chegou ao fim.
Embora ainda esteja para perceber qual a real diferença entre jogar com analgésicos para dores insuportáveis, e jogar infiltrado, o russo foi infeliz na entrevista dada na Rússia, perdendo boa parte da razão que poderia ter ao considerar que Costinha extravazou o seu descontentamento com a situação para lá do aconselhável.
Pelo meio sobra Paulo Barbosa, que comigo não teria jogadores em Alvalade.
No final Marat acabará por ser vendido, pela certa abaixo do preço que poderia valer, e ‘no pasa nada’, ficando mais uma vez o Sporting prejudicado.
E o tratamento aos media mantém-se. Lamentável.

21.3.10

Izmailov vs SportingCP

É difícil dissociar a eliminação do Sporting na Liga Europa sem escrever sobre Marat Izmailov, e sobre a sua não presença na equipa, nomeadamente no 11 inicial.

Injusto seria, no entanto, atribuir a culpa da eliminação ao simples facto de o russo não ter jogado, ainda para mais quando o jogador foi dos menos fulgurantes quer em Madrid, quer frente ao Vitória.

O que a seguir escrevo é completamente ausente de um gosto especial por qualquer das partes, pois se há algo que estes 32 anos de sportinguismo me ensinaram é que não há nada nem ninguém mais importante que o clube, e que o tempo dos Manuel Fernandes e do amor à camisola não é mais do que uma agradável saudade.
Tenho a opinião de que Marat Izmailov é dos melhores jogadores que compõem o actual plantel do Sporting. Para mais, goza da quase inexistência de jogadores com as suas características, e capazes de desempenhar as mesmas funções que ele, o que o torna num quase indiscutível, mesmo padecendo consecutivamente de lesões, quase desde que chegou ao clube.
Sobre Costinha quase não tenho opinião. Sei e já sabia, porque nunca foi segredo, que Costinha era sportinguista de pequeno. A sua postura no Porto só o engrandece, pois foi sempre um grande profissional, tal como aconteceu na selecção portuguesa, onde chegou como um perfeito desconhecido numa equipa de estrelas. Se será ou não um bom director desportivo, só o futuro o dirá.

A situação ocorrida no dia de jogo decisivo é difícil de analisar. Marat não se sentiria confiante (segundo o que foi dito, e nunca contrariado!) e recusou jogar (aventou-se a hipótese de jogar infiltrado, algo que foi peremptoriamente refutado pelo Dep. Médico, e que Marat não pôs em causa). Colocou, respeitosamente, os seus interesses acima dos do Sporting. Não condeno, embora considere que tal decisão deve pesar em futuras opções, e fazer os responsáveis decidir se um jogador com estas características deve ou não estar no clube.
Costinha terá reunido todas as partes e optou por retirar o jogador da convocatória (o que vai de encontro ao pedido do jogador). Este, indelicadamente e em opção inversa por exemplo à de Carriço, terá apressadamente saído da concentração na Academia, e nunca mais voltou.

Paulo Barbosa, para não variar
Do dia do jogo para cá, Marat já terá faltado a pelo menos 2 presenças em Alcochete, tendo o seu empresário tentado justificar uma delas.
Costinha, e bem, voltou a falar e objectivamente disse não perceber porque razão o russo não atendia sequer o telemóvel.
O empresário, numa postura claramente conivente, nada disse sobre a localização do jogador, ou sobre alguma justificação para a situação, defendendo-se apenas de que o jogador não se sentia confiante para jogar.

O futuro
No cenário actual, parece óbvio que o caminho de Marat em Alvalade chegou ao fim. Por outro lado, Costinha, para o bem ou para o mal, terá tomado a mão no balneário, e parece reunir condições (até pelo discurso) para cortar a direito nos problemas que têm assolado a equipa, já antes da chegada de Carvalhal. Os bufos, os amuados, os meninos mimados poderão ter os dias contados.

Costinha em tarefa hercúlea
O ‘Ministro’ não terá tarefa fácil, e mesmo tendo pulso firme, dificilmente consigirá no actual cenário económico/desportivo do clube inverter a tendência de autodestruição em que nos encontramos.
Se prestarmos atenção, facilmente constataremos que o plantel possui uma dúzia de jogadores que não fazem falta nenhuma (e alguns deles a ganhar demasiado), e que nos desportivamente mais valiosos residem os principais problemas disciplinares.
A excepção abriu-se com Moutinho. Por decisão directa de PBento nada aconteceu ao jogador, com a agravante de este ser o capitão.
Pouco tempo depois, e até aos dias que correm, a cada novo período de transferências, Veloso faz questão de mostrar que está a prazo no clube, e que almeja novos desafios. O que faz o clube? Nada.
Stoijkovic e Vukcevic são outros 2 exemplos. O GR foi desperdiçado, e o extremo joga sempre sobre brasas e mostra-se incapaz de voltar ao redimento que já teve, sendo continuadamente acusado de ser o principal bufo do balneário.
Liedson ganhou o duelo ao anterior director, e ‘no paso nada’ disciplinarmente ao avançado que até marcou dias depois para a Taça da Liga.
Marat, até esta altura considerado dos mais profissionais no clube afinal também fez das suas.

A questão que se coloca é – ‘Que jogadores servirão para começar 2010/11?’. Costinha, e o novo treinador terão a palavra.

Madrid, uma oportunidade perdida

Analisando a equipa nos 2 jogos pode concluir-se que este Atlético era demasiado acessível para o Sporting se dar ao luxo de não o eliminar, ainda para mais numa altura da época em que já quase só jogava para esta competição.

O Atlético tem individualides muito acima das nossas (Kun é só o maior dos exemplos), mas falta-lhe uma equipa e alguém capaz de ser o seu patrão. Torna-se acessível para qualquer adversário.

Já nós jogámos como uma equipa em Madrid, mas sofremos dos desvarios individuais (1º de Grimi, infantil, depois do árbitro que viu demais em Tonel), e em Alvalade fomos dinamitados na confiança por um jogador que merece muito mais que uma pobre equipa, um tal de Aguero. Mesmo assim, e depois do 2-2 faltou-nos, mais do que garra ou empenho, pernas e discernimento, de mão dada com a habitual falta de qualidade de vários elementos.

Caneira e Pedro Silva
Foram opções de recurso, e foram talvez até dos piores (por lá andaram os golos…) mas pouco mais se lhes poderia pedir – Silva é 3ªopção para a ala direita e jogou à esquerda, e Caneira fez o 1º jogo como central em muitissimas semanas, talvez demais.

Carvalhal
Teve o mérito indiscutível de pôr a equipa a jogar outro futebol (fazer pior em termos exibicionais do que o seu entecessor seria difícil!) mas estagnou num momento em que devia defender a equipa e não compactuar com os interesses instalados. A saída de Sá Pinto determinou o fim do poder de escolha de Carvalhal, e a colocação de Silva na esquerda mantendo Veloso ao meio e Matias como eterno suplente, mostra bem as debilidades de decisão por que o treinador passa. E é pena, porque Carvalhal, não sendo o Special Two, não parece mau treinador…